sexta-feira, 12 de julho de 2013

Erick - Logomarca

Bem-Vindo ao

VII Encontro Nacional de Estudantes de Letras/LIBRAS
Apresentação Há sexto anos que, anualmente, realiza-se o Encontro Nacional de Estudantes de Letras/Libras - ENELL, evento organizado por alunos e ex-alunos dos cursos de bacharelado e licenciatura em Letras/Libras ministrados pela Universidade Federal de Santa Catarina a mais de quinze pólos distribuídos por todo território nacional.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O poder da Leitura

O Poder da Leitura

Atualmente saber ler é fundamental para se viver plenamente em sociedade. Diariamente nos deparamos com situações em que a leitura se faz necessária, temo que ler reportagens, entrevistas, outdoors, fixas técnicas, textos acadêmicos, etc. Dominar a leitura e suas formas é o caminho pelo qual conseguiremos assimilar as informações, as quais nos são impostas em forma de escrita. Para se ter uma boa leitura é preciso saber extrair as informações adequadas que os diferentes tipos de textos nos apresentam.
                Infelizmente nem todas as pessoas têm o domínio da leitura. Muitas até sabem decodificar caracteres, unir silabas formando palavras e palavras formando frases. Tudo, porém de forma mecânica sem sentido. Elas não têm o domínio da leitura de forma ampla, sabem lê, contudo, não interpretam, tais pessoas são rotuladas como: analfabetas funcionais.
                De quem, pois, seria a culpa de tais pessoas não terem o domínio da leitura? Seria delas mesmas, que não tiveram interesse suficiente para aprender? Dos pais que não acompanharam efetivamente sua alfabetização? Ou seria da escola, que ainda não tem estrutura adequada para ensiná-las?  O fato é que o analfabetismo funcional é uma pedra no sapato do país, o problema existe, todavia, a solução ainda não foi apresentada.
                Hoje o problema pode ser considerado público e precisa ser tratado pela coletividade. Precisamos trabalhar a leitura dos ditos analfabetos funcionais. As escolas poderiam oferecer-lhes mais programas de leitura, onde seriam ensinadas técnicas de aprimoramento e outros meios de sanar o problema. A população leitora poderia se voluntariar mais, se dispor a ajudar. Os pais precisam acompanhar com esmero a educação básica de seus filhos. O governo precisa investir em melhores projetos educacionais para que possamos ter um país melhor em desenvolvimento e uma população rica em cultura e instrução.
                A leitura é uma arma poderosa, ela é de suma importância para o bom desenvolvimento pessoal e nacional, não existe cidadão sem leitura, e muito menos nação sem cidadão. Valorizemos, pois, tal mecanismo de integração e conhecimento de mundo.

OLIVEIRA, Tiago Lacerda de.

Sousa, 01 de julho de 2013.

sábado, 6 de abril de 2013


Lucas Mendes: Pais surdos, filho falante


Drogado, criminoso, desequilibrado mental. Aí ele fez 16 anos. Este é o subtítulo do livro Kasher in the Rye, memórias do escritor e comediante Moshe Kasher. O título, como convém a um criminoso precoce, vem do livro The Catcher in the Rye, de J.D. Salinger, um clássico sobre angústia, alienação e rebelião de um jovem em Nova York, publicado em 1951. Neste, Kasher é uma autobiografia, não uma ficção. E ele conta tudo.

Aos 4 ou 5 anos Moshe sentiu vergonha da mãe pela primeira vez. Foi quando percebeu que o jeito dela falar era todo enrolado, como os surdos falam, diferentes das outras mães.
Desta época começou a revolta. Vinha de uma família de mulheres divorciadas havia quatro gerações e que detestavam homens. A avó, já velhinha, cuspia e amaldiçoava o marido de quem tinha se divorciado havia décadas.
Surdos gostam de encontrar outros surdos. A mãe levava Moshe para festas e eventos e ele se divertia com os peidos altos, comuns entre surdos, mas que despertavam mais rejeição do que compaixão.
Com os anos, as relações com a mãe e avó chegaram às vias de fato. Ele quebrava janelas, virava mesas, batia na mãe e ela reagia. Moshe diz que uma das poucas vantagens de ser filho de surdo é ouvir a música que você quiser no ultimo furo. No carro, com a mãe, ele ouvia hip hop com letras ofensivas e pornográficas, mas a mãe, que não ouvia, gostava porque sentia a “vibração” do baixo.
Ele era um judeu branco, magrelo, num bairro de negros parrudos de Oakland e logo se enturmou com a turma da pesada. Aos 12 tomava ácido todos os dias, fumava maconha e se embriagava. Vivia em crise nas escolas e a mãe era chamada pela direção. Como era surda, Moshe servia de intérprete do diretor: "Seu filho tem problemas seríssimos. Nos últimos meses faltou a 30% das aulas”.
Moshe traduzia com sinais de mão: "Seu filho tem alguns problemas, nada sério. Melhorou 30% com relação ao último semestre". Eventualmente descobriram o golpe e ele foi expulso de mais uma escola. Foram dezenas, e ele só conseguiu ser admitido numa outra onde era único aluno que não era doente mental.
As relações com o pai, que morava em Nova York, não envolviam agressões físicas, mas o afeto passava ao largo. Ele se recasou com uma judia hassídica da ala mais ortodoxa da seita e morava no Brooklyn. Todos se vestiam com o mesmo tipo de roupa, tinham os mesmos aparelhos domésticos e o mesmo modelo de carro, um Oldsmobile.
Cada vez que ia buscar os filhos no aeroporto, o pai ia direto com eles para um barbeiro, mandava aplicar um corte hassídico e colocava uma yamaka na cabeça dos dois. Em Oakland seriam o deboche do bairro.
Moshe a partir dos 5 anos de idade passou por todos os tipos de análise, individual, de grupo, com e sem família. Ia de mal a pior. O ódio dele que era concentrado na mãe e na avó se expandiu para todos os adultos.
Não sabe quantas vezes foi preso, mas foi parar nas clínicas de reabilitação, e a primeira instrução que davam a ele era a última coisa que faria na vida: abandonar os amigos. Eles eram tudo que ele tinha na vida. Comprar e consumir drogas pela manhã, passar o dia furtando e batendo em garotos mais fracos, se embriagar de noite.
Nas clínicas de reabilitação as sessões eram com psicólogos e com terapeutas que tinham se recuperado de drogas. O prazer de Moshe era fazer o adulto perder o controle até cair no universo dele, de insultos e gritos. Aí se sentia vitorioso. Até que encontrou um ex-alcoólatra que nunca perdeu a cabeça. Nas crises, dizia a Moshe que a dependência dele era uma doença que tinha cura. Um dia desmontou as agressões de rebelde com um abraço.
O escritor e comediante conta no livro que o abraço não foi um momento epifânico, que não houve um quase encontro com a morte numa overdose ou acidente, de quem chega um dia no fundo do poço e se salva, como nos filmes e também na maioria dos livros. O drogado, ele diz, já vive no fundo do poço, num tédio infernal que se repete todos os dias, a mais miserável das vidas.
“Numa tarde, a caminho do bar com minha turma, eu virei de costas, disse adeus, mudei de vida. Terminei o curso secundário, fiz faculdade, tenho bons amigos, boa relação com minha mãe e uma carreira promissora. O terapeuta que me deu o abraço que talvez tenha sido minha salvação teve uma recaída e morreu numa overdose", conta.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Presidência da República
Casa CivilSubchefia para Assuntos Jurídicos
RegulamentoRegulamento
Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação.
Art. 2o Para os fins desta Lei são estabelecidas as seguintes definições:
I – acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida;
II – barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas, classificadas em:
a) barreiras arquitetônicas urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público;
b) barreiras arquitetônicas na edificação: as existentes no interior dos edifícios públicos e privados;
c) barreiras arquitetônicas nos transportes: as existentes nos meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa;
III – pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo;
IV – elemento da urbanização: qualquer componente das obras de urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamentos para esgotos, distribuição de energia elétrica, iluminação pública, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico;
V – mobiliário urbano: o conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos da urbanização ou da edificação, de forma que sua modificação ou traslado não provoque alterações substanciais nestes elementos, tais como semáforos, postes de sinalização e similares, cabines telefônicas, fontes públicas, lixeiras, toldos, marquises, quiosques e quaisquer outros de natureza análoga;
VI – ajuda técnica: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou possibilite o acesso e o uso de meio físico.
CAPÍTULO II
DOS ELEMENTOS DA URBANIZAÇÃO
Art. 3o O planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de forma a torná-los acessíveis para as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 4o As vias públicas, os parques e os demais espaços de uso público existentes, assim como as respectivas instalações de serviços e mobiliários urbanos deverão ser adaptados, obedecendo-se ordem de prioridade que vise à maior eficiência das modificações, no sentido de promover mais ampla acessibilidade às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Parágrafo único.  Os parques de diversões, públicos e privados, devem adaptar, no mínimo, 5% (cinco por cento) de cada brinquedo e equipamento e identificá-lo para possibilitar sua utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tanto quanto tecnicamente possível. (Incluído pela Lei nº 11.982, de 2009)
Art. 5o O projeto e o traçado dos elementos de urbanização públicos e privados de uso comunitário, nestes compreendidos os itinerários e as passagens de pedestres, os percursos de entrada e de saída de veículos, as escadas e rampas, deverão observar os parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Art. 6o Os banheiros de uso público existentes ou a construir em parques, praças, jardins e espaços livres públicos deverão ser acessíveis e dispor, pelo menos, de um sanitário e um lavatório que atendam às especificações das normas técnicas da ABNT.
Art. 7o Em todas as áreas de estacionamento de veículos, localizadas em vias ou em espaços públicos, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência com dificuldade de locomoção.
Parágrafo único. As vagas a que se refere o caput deste artigo deverão ser em número equivalente a dois por cento do total, garantida, no mínimo, uma vaga, devidamente sinalizada e com as especificações técnicas de desenho e traçado de acordo com as normas técnicas vigentes.
CAPÍTULO III
DO DESENHO E DA LOCALIZAÇÃO DO MOBILIÁRIO URBANO
Art. 8o Os sinais de tráfego, semáforos, postes de iluminação ou quaisquer outros elementos verticais de sinalização que devam ser instalados em itinerário ou espaço de acesso para pedestres deverão ser dispostos de forma a não dificultar ou impedir a circulação, e de modo que possam ser utilizados com a máxima comodidade.
Art. 9o Os semáforos para pedestres instalados nas vias públicas deverão estar equipados com mecanismo que emita sinal sonoro suave, intermitente e sem estridência, ou com mecanismo alternativo, que sirva de guia ou orientação para a travessia de pessoas portadoras de deficiência visual, se a intensidade do fluxo de veículos e a periculosidade da via assim determinarem.
Art. 10. Os elementos do mobiliário urbano deverão ser projetados e instalados em locais que permitam sejam eles utilizados pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
CAPÍTULO IV
DA ACESSIBILIDADE NOS EDIFÍCIOS PÚBLICOS OU DE USO COLETIVO
Art. 11. A construção, ampliação ou reforma de edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo deverão ser executadas de modo que sejam ou se tornem acessíveis às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Parágrafo único. Para os fins do disposto neste artigo, na construção, ampliação ou reforma de edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo deverão ser observados, pelo menos, os seguintes requisitos de acessibilidade:
I – nas áreas externas ou internas da edificação, destinadas a garagem e a estacionamento de uso público, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência com dificuldade de locomoção permanente;
II – pelo menos um dos acessos ao interior da edificação deverá estar livre de barreiras arquitetônicas e de obstáculos que impeçam ou dificultem a acessibilidade de pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida;
III – pelo menos um dos itinerários que comuniquem horizontal e verticalmente todas as dependências e serviços do edifício, entre si e com o exterior, deverá cumprir os requisitos de acessibilidade de que trata esta Lei; e
IV – os edifícios deverão dispor, pelo menos, de um banheiro acessível, distribuindo-se seus equipamentos e acessórios de maneira que possam ser utilizados por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 12. Os locais de espetáculos, conferências, aulas e outros de natureza similar deverão dispor de espaços reservados para pessoas que utilizam cadeira de rodas, e de lugares específicos para pessoas com deficiência auditiva e visual, inclusive acompanhante, de acordo com a ABNT, de modo a facilitar-lhes as condições de acesso, circulação e comunicação.
CAPÍTULO V
DA ACESSIBILIDADE NOS EDIFÍCIOS DE USO PRIVADO
Art. 13. Os edifícios de uso privado em que seja obrigatória a instalação de elevadores deverão ser construídos atendendo aos seguintes requisitos mínimos de acessibilidade:
I – percurso acessível que una as unidades habitacionais com o exterior e com as dependências de uso comum;
II – percurso acessível que una a edificação à via pública, às edificações e aos serviços anexos de uso comum e aos edifícios vizinhos;
III – cabine do elevador e respectiva porta de entrada acessíveis para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 14. Os edifícios a serem construídos com mais de um pavimento além do pavimento de acesso, à exceção das habitações unifamiliares, e que não estejam obrigados à instalação de elevador, deverão dispor de especificações técnicas e de projeto que facilitem a instalação de um elevador adaptado, devendo os demais elementos de uso comum destes edifícios atender aos requisitos de acessibilidade.
Art. 15. Caberá ao órgão federal responsável pela coordenação da política habitacional regulamentar a reserva de um percentual mínimo do total das habitações, conforme a característica da população local, para o atendimento da demanda de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
CAPÍTULO VI
DA ACESSIBILIDADE NOS VEÍCULOS DE TRANSPORTE COLETIVO
        Art. 16. Os veículos de transporte coletivo deverão cumprir os requisitos de acessibilidade estabelecidos nas normas técnicas específicas.
CAPÍTULO VII
DA ACESSIBILIDADE NOS SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO E SINALIZAÇÃO
Art. 17. O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer.
Art. 18. O Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, linguagem de sinais e de guias-intérpretes, para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação. Regulamento
Art. 19. Os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens adotarão plano de medidas técnicas com o objetivo de permitir o uso da linguagem de sinais ou outra subtitulação, para garantir o direito de acesso à informação às pessoas portadoras de deficiência auditiva, na forma e no prazo previstos em regulamento.
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES SOBRE AJUDAS TÉCNICAS
Art. 20. O Poder Público promoverá a supressão de barreiras urbanísticas, arquitetônicas, de transporte e de comunicação, mediante ajudas técnicas.
Art. 21. O Poder Público, por meio dos organismos de apoio à pesquisa e das agências de financiamento, fomentará programas destinados:
I – à promoção de pesquisas científicas voltadas ao tratamento e prevenção de deficiências;
II – ao desenvolvimento tecnológico orientado à produção de ajudas técnicas para as pessoas portadoras de deficiência;
III – à especialização de recursos humanos em acessibilidade.
CAPÍTULO IX
DAS MEDIDAS DE FOMENTO À ELIMINAÇÃO DE BARREIRAS
        Art. 22. É instituído, no âmbito da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, o Programa Nacional de Acessibilidade, com dotação orçamentária específica, cuja execução será disciplinada em regulamento.
CAPÍTULO X
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 23. A Administração Pública federal direta e indireta destinará, anualmente, dotação orçamentária para as adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas existentes nos edifícios de uso público de sua propriedade e naqueles que estejam sob sua administração ou uso.
Parágrafo único. A implementação das adaptações, eliminações e supressões de barreiras arquitetônicas referidas no caput deste artigo deverá ser iniciada a partir do primeiro ano de vigência desta Lei.
Art. 24. O Poder Público promoverá campanhas informativas e educativas dirigidas à população em geral, com a finalidade de conscientizá-la e sensibilizá-la quanto à acessibilidade e à integração social da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Art. 25. As disposições desta Lei aplicam-se aos edifícios ou imóveis declarados bens de interesse cultural ou de valor histórico-artístico, desde que as modificações necessárias observem as normas específicas reguladoras destes bens.
Art. 26. As organizações representativas de pessoas portadoras de deficiência terão legitimidade para acompanhar o cumprimento dos requisitos de acessibilidade estabelecidos nesta Lei.
Art. 27. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 19 de dezembro de 2000; 179o da Independência e 112o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
José Gregori
LEI Nº 3656, DE 23 DE MARÇO DE 2010

Institui a obrigatoriedade da inclusão da Língua Brasileira de
Sinais – LIBRAS - no currículo escolar no âmbito do Município de
Juazeiro do Norte e dá outras providências.

O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE,
Estado do Ceará.


FAÇO SABER que a CÂMARA MUNICIPAL aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei:


CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS


Art. 1º - A partir do ano de 2011, o Sistema Municipal de Educação de Juazeiro do Norte deverá adotar as medidas necessárias para a efetiva implantação da obrigatoriedade da inclusão da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS - no currículo escolar das instituições de ensino que o compõem.

Parágrafo único - Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS - a forma de comunicação e expressão em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos oriundos de comunidades de pessoas surdas do
Brasil, na forma estabelecida pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002.

Art. 2º - As instituições de ensino integrantes do Sistema Municipal de Educação de Juazeiro do Norte devem garantir às pessoas surdas ou com deficiência auditiva acesso à comunicação, a informação e a educação nos processos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades da educação oferecida na área de sua abrangência.

Art. 3º - Para garantir o atendimento educacional especialização e o acesso no artigo anterior, o Sistema Municipal de Educação de Juazeiro do Norte deverá:

I - promover cursos de formação dos professores para:
a) o ensino e uso de LIBRAS;
b) a tradução e a interpretação de LIBRAS para a Língua Portuguesa;
c) o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas;

II - ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino de LIBRAS e também da Língua Portuguesa, como segunda língua para os alunos surdos;

III - prover as escolas com:

a) professor de LIBRAS;
b) tradutor e intérprete de LIBRAS para a Língua Portuguesa;
c) professor para o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas;
d) professor regente de classe com conhecimento acerca dasingularidade linguística manifestada pelos alunos surdos;

IV - garantir o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos surdos, desde a educação infantil, nas salas de aula e, também, em salas de recursos específicos, em turno contrário ao da escolarização regular;

V - apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de LIBRAS entre professores, alunos, funcionários, gestores e familiares, inclusive por meio de oferta de cursos;

VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com o aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade linguística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa;

VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em LIBRAS, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos;

Art. 4º - Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de LIBRAS e o ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos, devem ser ministrados em uma perspectiva dialógica, funcional e instrumental, como:

I - atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;
II - áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do ensino fundamental.

Art. 5º - A modalidade oral da Língua Portuguesa na educação básica deve ser ofertada aos alunos surdos ou com deficiência auditiva, preferencialmente em turno distinto ao da escolarização, por meio de ações integradas entre as áreas da saúde e da educação, resguardando o direito de opção da família ou do próprio aluno por essa modalidade.

Parágrafo Único - A definição de espaço para o desenvolvimento da modalidade oral da Língua Portuguesa e a definição dos profissionais de Fonoaudiologia para atuação com alunos da educação básica serão de competência dos órgãos que possuam estas atribuições.

CAPÍTULO II
DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL


Art. 6º - A formação do professor de LIBRAS, do instrutor de LIBRAS e do tradutor e intérprete de LIBRAS para a Língua Portuguesa deve se dar na forma estabelecida na Regulamentação da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002.

Art. 7º - Para os fins determinados nesta Lei, o Sistema Municipal de Educação de Juazeiro do Norte e suas respectivas instituições de ensino devem incluir o professor de LIBRAS em seu quadro do Magistério, obedecendo os prazos definidos na Regulamentação da Lei 10.436/2002.

Art. 8º - Para os fins determinados nesta Lei, o Sistema Municipal de Educação de Juazeiro do Norte e suas respectivas instituições de ensino devem incluir em seus quadros de funcionários o tradutor e o intérprete de LIBRAS para a Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso a comunicação, a informação e a educação de alunos surdos.

Parágrafo Único - O profissional a que se refere o caput deste artigo atuará:

I - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas;
II - no apoio a acessibilidade aos serviços e as atividades fim das instituições de ensino.

CAPITULO III
DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS
PESSOAS SURDAS OU COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA


Art. 9º - As instituições municipais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de:

I - escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;

II - escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes para os anos finais do ensino fundamental, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de LIBRAS para a Língua Portuguesa.

Art. 10 - São denominadas escolas ou classes de educação bilíngue aquelas em que a LIBRAS e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo.

Art. 11- Os alunos surdos ou com deficiência auditiva têm o direito a escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de informação.

Parágrafo Único - O disposto no caput deste artigo deve ser garantido, também, para os alunos não usuários de LIBRAS.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS


Art. 12- Para os fins desta Lei é considerada:

I - Pessoa Surda - aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais;
II - Deficiência Auditiva – a perda bilateral, parcial ou total, de 41dB (quarenta e um decibéis) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

Art. 13- A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS - não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa.

Art. 14- As Regulamentações Complementares decorrentes da presente Lei deverão ser definidas pelos órgãos competentes da Administração Pública Municipal de Juazeiro do Norte, especialmente a Secretaria Municipal de Administração e Secretaria Municipal de Educação.

Art. 15- Os órgãos da Administração Pública Municipal, direta e indireta, viabilizarão as ações previstas nesta Lei, com dotações específicas em seus orçamentos anuais e plurianuais, prioritariamente os relativos à formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e empregados para o uso e difusão de LIBRAS para a Língua Portuguesa.

Art. 16- Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Palácio Municipal José Geraldo da Cruz, em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, aos 23 (vinte e três) dias do mês de março do ano dois mil e dez (2010).

DR. MANOEL RAIMUNDO DE SANTANA NETO
PREFEITO DE JUAZEIRO DO NORTE

Autoria José Tarso Magno Teixeira da Silva
Co-autoria Antônio Ferreira dos Santos

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